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22 de abril de 2018

Redação: Publicação de imagens trágicas — banalização do sofrimento ou forma de sensibilização?



Evidentemente, a publicação de imagens trágicas está intrinsecamente ligada aos inúmeros avanços tecnológicos, sobretudo dos veículos midiáticos. Atualmente, qualquer um com acesso à “internet” pode lançar um “blog” ou mesmo um “site”, isto é, criar seu próprio canal de comunicação. Desta feita, os fatos que ocorrem diariamente — principalmente as tragédias, que de imediato viralizam com suas mórbidas imagens — passam a ser de conhecimento da maioria dos cidadãos rapidamente. Resta saber se o fenômeno representa uma banalização do sofrimento ou uma forma de sensibilização.

Existe no jornalismo uma frase conhecida: “Se não sangrar, não dá audiência”. O ser humano é ávido por sangue, por notícias ruins, por espectros execrados e por sensacionalismo, por esse motivo a diferença de “curtidas” e “compartilhamentos” entre a imagem de uma pessoa assassinada com requintes de crueldade e de uma desaparecida. Em junho de 2015, com o terrível acidente que vitimou o cantor sertanejo Cristiano Araújo, surgiu uma infinidade de fotos impiedosas com títulos “clickbait” que mostravam a massa encefálica de sua namorada Allana Moraes, um exemplo claro da trivialização da dor.

Por outro lado, faz-se necessário ressaltar que nem todos os veículos têm como princípio a volúpia por tragédias e pelo terror, haja vista a formação ética de determinados profissionais da área. Enquanto uns visam ao grande público, à popularidade, outros — uma minoria consciente —, têm por objetivo ajudar o próximo, compadecendo-se com a situação.

Portanto, fica nítido que a publicação de imagens trágicas nas redes sociais é uma banalização do sofrimento, considerando-se que a forma de sensibilização não se vale de retratos trágicos, mas de eventos. É improtelável que tenhamos lucidez em nossos atos e nos coloquemos no lugar daqueles que têm seus cadáveres vilipendiados. Assim, garantiremos a coletividade do corpo social e pautas como esta não existirão.

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